CONTRAMOR

 

 

 

CONTRAMOR

 

 

 

 

Um pouco,

estarei aqui; banal,

sem ódio, sem rancor.

Não mais amor;

pitoresca nota universal.

 

 

 

 

Tudo é amor,

e amor não é nada.

Um pouco,

e conto a migalha,

da aventura desejada.

O amor é uma fraude;

é oposto do ódio.

A dupla se aninha.

 

 

 

Por amor se morre,

e se mata d'amor.

Com a língua de fora,

da boca mesquinha.

 

 

 

No amor cabe tudo:

uma pessoa, o esporte,

o cão (que abundância!),

uma ânsia.

 

 

 

Fica-se numa ruela,

onde mal cabe dois.

Acotovelam-se, pois.

Rixas d'amor,

gritos de dor.

E o amor coitado,

é fadário, um fado,

coitado, amor, coitado.

 

 

 

A Bondade,

não é ilusão d'oiro.

Um prato raro,

que comemos de luvas,

brancas (é verdade).

Comemos broas e sardinha.

E elogiamos o garçon,

que c'os olhos a saltar,

na órbita em marinha:

- Bondade sua! Bondade!

 

 

 

 

DON ANTÔNIO MARAGNO LACERDA

Prêmio UNESCO/poemas)

E_mail:  jornaldosmunicipios@ig.com.br

 

 

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