ESPELHO MULIÉRE

 

 

 

 

 

 

ESPELHO MULIÉRE

 

 


Louvo-me sempre pela minha loucura
de ver o sol verde e as nuvens amarelas.
Aquarelas, neutras, puras, singelas.
Se escrevo ou traço, não sei. Aliás
não sei se o traço é lamento ou tortura
e na minha feminil alucinação repentina me encaixo,
se caibo, não sei.
Só sei que tenho a pele escura e clara, olhos rubros
e gosto de voar, divagar, sonhar...
Mas se sou louca, não importa.
É momento, é medo ou fuga ou até coragem em demasia.
Não sei que roupa usar ou ousar,
se passeio num disco voador ou de cavalo marinho.
Posso até deslizar sobre as águas róseas do oceano e filosofar
vendo minha essência lá refletida:
a loucura e o delírio de amar.
Minha alma revela subitamente o desconhecido,
tudo o que não se vê, o que se define profano e
em minha lucidez só interpreto a normalidade e louvo-me.
Louvo-me por ser repleta de sentimentos, por vivê-los, guiá-los, dividi-los,
compartilhá-los.
Louvo-me diante do espelho, unicamente por ser louca, destemida, audaciosa,
sutil, mulher.


Julieta Miguel da Silva

julietamiguel@ig.com.br

 

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